O Ambriz

Vila de Ambriz


Foi um porto de pesca com algum relevo e de carregamento/saída de café através de batelões que iam para Luanda ou para transbordo para barcos que ficavam ao largo.
Era sede de Concelho no qual residia um Administrador, a que se juntavam diversos serviços, incluindo uma «secção» de Finanças.

Tinha ainda um posto da PSP, constituído por um ou dois elementos da metrópole (incluindo o Chefe) a que se juntavam mais alguns do «recrutamento» local.
No período de 1970 a 1972 o Administrador era o Sr. Geirinhas, com o qual a Secção e alguns dos seus elementos mantiveram grandes laços de amizade e de convívio.
A partir de 1961 foi alargada a sanzala na altura existente, com a instalação de civis deslocados de outras zonas. Marginando a estrada alcatroada à entrada da povoação foi construído um bairro com casas em tudo semelhantes às de muitos bairros da metrópole.
O Ambriz tinha iluminação incluindo a pública, através dum gerador e rede de água com captação no rio Loge junto à fazenda Tentativa.

Havia uma pista de aterragem de terra batida, na qual parava todas as terças, quintas e sábados o avião DC3 que fazia ainda a ligação a Ambrizete, S. Salvador e Cabinda. Tinha um pequeno hangar onde estacionava habitualmente um avião monomotor pertença de uma entidade civil local.
Tinha ainda posto dos CTT com ligações rádio/telefone e um hospital com enfermarias, no qual residia um enfermeiro qualificado da metrópole. No hospital prestava ainda «serviço» um médico militar (sempre um em permanência no Ambriz) e também os enfermeiros militares.
Foi também uma grande zona de caça – Coutada do Ambriz – que se estendia para o interior até perto de Zala.

Existiam diversos estabelecimentos comerciais, desde cafés, restaurantes, hotel e lojas de mercearias/drogarias/tecidos/utilidades e até um fotógrafo faz-tudo,
Havia ainda igreja – periodicamente passava um missionário e ainda ia lá um capelão militar.
E ainda um Clube (com pequeno bar, jornais e «ringue para futebol, e outras modalidades), um Cinema (filmes 3 vezes por semana) e a Praia.
A actividade económica no próprio Ambriz de 70 a início de 72, limitava-se ao comércio de venda de bens alimentares e outros às unidades militares e seus elementos, bem como à população civil.
Com a redução dos efectivos militares a partir de 1970 (deixou de haver um batalhão), os civis comerciantes começaram a «mexer-se» junto das autoridades em Luanda para encontrar alternativas; foi assim que a partir de finais de 1971 se iniciaram nos terrenos à saída do Ambriz as plantações de algodão após grandes trabalhos de desmatação e limpeza.

No seguimento dessa necessidade de dar vida à povoação, também surge o Centro de treino de tropas do recrutamento local, ligado ao R.I. 20 de Luanda e que fez com que o número de militares aumentasse para cerca de 800, com os inerentes benefícios para o comércio local.


                                                   Como era

   

                                                                 Inicio sec. XXI


6 comentários:

  1. Ao Administrador deste blogue, se me permite, uma breve observação: a Fazenda TENTATIVA situava-se no CAXITO, não em AMBRIZ. Em AMBRIZ era, se não estou em erro, a Fazenda LOGE, que ficava no margem direita do rio.
    Saudações cordiais.

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  2. Estive em Ambriz várias vezes nos anos de 1966 e 67. Estava aquartelado em QUIBALA (Norte) e para nos deslocarmos à graciosa Vila tínhamos de percorrer 140 km, 99 dos quais em picada em muito mau estado e ladeada de perigo iminente, pois já la tínhamos estado cerca de 1h e 15 m debaixo de fogo, com resultados trágicos para a nossa tropa. «A primeira vez que me desloquei a AMBRIZ, - depois de mês e meio no mato, onde os dias se diferençavam entre si pelos riscos a enfrentar nas acções e operações que nos estavam destinadas - foi para mim um acontecimento com significado e a não esquecer. Era a civilização, não recordada mas vivida, a que ninguém poderia ser indiferente. Apesar disso, ou talvez por isso, de início senti-me estranhamente desintegrado, pois já havia tempo demais em que só via gente fardada, mas na hora de regressar a QUIBALA já não me apetecia deixar aquele ambiente, embora tivessem sido escassas as horas em que lá me demorei. Haveria de lá voltar mais vezes, como disse, para ficar a gostar demais daquela Terrinha e da sua gente. Restam as saudades...»
    In: Sérgio O. Sá - "DE QUIBALA A MALELE NO DECORRER DE UMA GUERRA"

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  3. Tal e qual!... Como diz o Sérgio O. Sá era a fazenda do Loge, que conheci porque estive aquartelado no Ambriz e fiz parte dum pelotão da Engenharia (C.C. 838) que entre 1965/1966 ali construiu um aquartelamento de raiz (novo)... Por mais duma vez atravessei o rio Loge para me deslocar à Musserra onde existia uma pequena povoação, bem como um destacamento do Bat. Art. 747 (creio ser esta a designação) que estava sediado no Ambriz (Fortaleza)...
    A seguir fomos refazer no Ambrizete um pequeno aquartelamento e de novo lá tivemos de passar o mesmo rio Loge junto à fazenda do Loge e utilizar uma picada em mau estado porque o tapete de alcatrão, de facto, começava em Luanda e "morria" na vila do Ambriz, ali junto do Atlântico, muito plana e bonita!

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  4. Caro PIKO, para atravessar o rio Loge na vila ou junto à vila de Ambriz, teria de ser por jangada. A estrada que prtia de Caxito para Ambrizete terminava o alcatrão na ponte de FREITAS MORNA, também sobre o rio Loge, mas vários km a montante de Ambriz. da vila de Ambriz lá eram cerca de 34 km. Era por essa ponte que eu passava para QUIBALA Norte. Cerca de 500 metros depois da ponte a picada dividia-se em duas: à direita seguia para Quibala, Quimaria, Tôto, Bembe, etc; à esquerda para Mussera, Ambrizete, Tomboco, etc.
    Recordar é viver.

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  5. Sim também estive em Ambriz desde Janeiro de 1965 até junho de 1966. Conheci todas essas maneiras de transportes. Além desses maus momentos, sentimos uma pontinha de saudade desses tempos da nossa juventude.

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